Filosofia

A filosofia dos povos antigos era sua religião

 

Para eles a filosofia era como uma religião sem revelação, do nosso ponto de vista

 

Estamos falando de como a religião antiga era qualitativamente diferente da religião moderna e de como ela servia a diferentes funções. Vimos anteriormente que a religião antiga incluía a religião cívica, a qual ajudava as pessoas a controlar o mundo através de barganhas com seres divinos.

 

A religião moderna é moralista. A religião cívica não, pelo menos não da forma que entendemos a moral. As pessoas não faziam a troca “Deus, cura-me desta doença, e prometo não pecar”. A troca deles era prática, do tipo “Deus, te dou estes belos bolos e incenso, os quais sei que gostas; agora, proteje-me de doenças”.

 

Não se engane. Só porque a religião cívica antiga não tratava a moralidade (pelo menos não da forma que entendemos a moral) não pense que os antigos não se preocupavam com a moral, certo e errado, bem e mal e a verdade absoluta. Eles se preocupavam com isso sim. Só que tratavam a questão com um tipo diferente de instituição. Enquanto usamos as escrituras e a palavra revelada de deus para entender o bem e o mal, eles usavam a filosofia. Quem imaginaria isso ?

 

Falaremos de filosofia antiga. Lembre-se de que enquanto tentamos entender como as instituições antigas se traduzem em termos modernos, é útil ver a filosofia como um de três tipos de religião antiga.

 

1ª Religião cívica

Função

a: barganha com os deuses para que estes causem bons acontecimentos.

b: acessar o poder dos deuses para predizer o futuro.

Religião pessoal, familiar, tribal, nacional e local.

 

2ª Filosofia

Função

moralidade

 

3ª Religiões misteriosas

Função

Contato pessoal com divindades e salvação.

 

A religião cívica não tinha teologia formal para responder questões de moral e propósito, e não foi necessário muito para perceber que os mitos da classe “os deuses fazem e só você não vê”  não eram explicações convincentes do funcionamento do mundo. Havia um vácuo a preencher.

 

Para os antigos,  especialmente a  maioria da aristocracia letrada, a filosofia não era remota, abstrata e teórica, porém fundamental para o entendimento do dia da dia do mundo e de suas identidades pessoais. As pessoas daquela época eram platonistas, estóicos ou epicúreos da mesma forma que hoje em dia são batistas, católicos ou ateus.

 

Filosofia – religião sem revelação

 

Atualmente religião e revelação são inseparáveis. Cristianismo, islamismo, bahaísmo, mormonismo – são religiões reveladas, baseadas na revelação direta de deus através de seu filho ou profeta – Jesus, Mohamed, Bahaulla, Joseph Smith. Os antigos não tinham religiões reveladas (ou pelo menos não muitas). Eles tiveram que produzir suas ideias de significado da vida e divindade sem um início “sólido” e revelado.

 

Aqueles que pensavam no significado da vida e divindade eram chamados de filósofos. Usamos a mesma palavra hoje me dia mas com significado bem diferente. É um erro nosso pensar nos filósofos antigos como teóricos de paletó de “tweed”. Eles eram teólogos.

 

A melhor forma de definir a palavra “filosofia” no sentido que eles usavam é – desconsiderando deidade e revelação – religião sem revelação. Em um mundo sem religião revelada os filósofos antigos tentaram entender quem é deus. Impressionante.

 

Os filósofos antigos desenvolveram ensinamentos éticos e morais que guiaram homens e impérios do mediterrâneo por centenas de anos.

 

Se estiver interessado em como os filósofos/teólogos antigos entendiam deus, o livro de Cícero, The Nature of the Gods, é uma ótima leitura.

Leia Cicero, [106 – 43 BC], um não cristão, descrevendo deus:

Deus habita o universo como seu governante, e domina as estrelas em seus cursos, e a mudança das estações, e todas as sequências variáveis da natureza, olhando abaixo para o mar e a terra, e protegendo a vida e os bens dos homens.

O poder divino é encontrado num principio racional que permeia inteiramente a natureza.

 

Cicero, The Nature of the Gods, Livro 1

Citação antiga

 

Entendeu ? A religião antiga tinha suas diferenças. A religião cívica, cujos seres mágicos podem fazer parecer que é “religião”, tinha mais a ver com a barganha com os deuses para controlar o mundo – função que não pertence à “religião”, como entendemos.

 

Filosofia tratava de ética e moral mas não tinha revelação – um recurso chave da religião do nosso ponto de vista. Por isso não nos parece uma religião.

 

Fonte: http://www.pocm.info/getting_started_philosophy.html

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