A história dos vencedores

Como eu nunca ouvi falar disso ?

As idéias da cultura moderna sobre as origens cristãs vem da versão cristã da história

Como é possível que ninguém nunca te disse que o Cristianismo adotou idéias de outras religiões antigas ? E o fato de que ninguém nunca te disse isso te faz pensar que essa coisa de origens pagãs é loucura, certo ?

Parte do problema pode ser o fato de você não conhecer os livros certos (veja no site original em inglês). A idéia de que o cristianismo adotou as idéias do paganismo vem desde os anos 1400, quando protestantes anti-catolicismo iniciaram sua descoberta de idéias pagãs na igreja romana (vide os livros do professor Smith no site original). Na segunda metade do século 19 arqueólogos descobriram e traduziram textos assírios, babilônicos e egípcios que eram mil anos mais velhos que os mais antigos textos judaicos. As lendas nestes textos se mostraram interessantes paralelos das lendas do velho testamento, levando pessoas razoáveis a entenderem que muitas estórias bíblicas do velho testamento eram cópias dos mitos mais antigos do oriente médio. Estudiosos profissionais ávidos porém descuidados criaram uma teoria similar de cópia mito por mito para as estórias do novo testamento acerca de Jesus (vide o livro do Dr. Schweitzer no site POCM).

Nos anos 50 a teoria mito por mito enfraqueceu muito devido a falta de evidência. Nas décadas recentes ela foi substituída por:

  1. Acadêmicos que escrevem livros acerca de um único aspecto da religião antiga – demônios, milagres, vida após a morte, nascimentos divinos, sonhos mágicos enviados por deus, etc – e que incluem o cristianismo como apenas um outro exemplo de como o pensamento religioso antigo funcionava.

  2. Pessoas não malucas, incluindo estudiosos que não são de departamentos religiosos ou teológicos, que escrevem livros do gênero teoria de Jesus e apontam a falta de evidência de um Jesus histórico no primeiro século, a partir do que eles concluem que o cristianismo do primeiro século era a respeito de um Jesus mítico baseado nas profecias do velho testamento. As lendas galiléias foram adicionadas no segundo século.

  3. Amadores gentios indisciplinados que repetem e elaboram os mesmos erros dos místicos do século 19.

As origens pagãs do cristianismo estão aí. Você só precisa saber onde procurar.

Por outro lado, se você procurar a igreja ou a cultura popular, então é claro que ficará desapontado. O pessoal da igreja não acredita que o cristianismo tem origens pagãs, por isso não dirão isso a você. E a cultura popular ? O povo não sabe nem se importa.

E as universidades ? Os estudiosos dos departamentos teológicos e religiosos das universidades de renome não deveriam saber das origens pagãs do cristianismo, se elas existissem ? Algumas coisas acontecem (veremos isso no capítulo razões – estudos, uma tradução futura). Primeiramente, alguns acadêmicos proclamam disso, como indicado acima.

Em segundo lugar, muitos estudiosos da religião, particularmente da religião cristã, são… cristãos. Liberais ou conservadores (do ponto de vista bíblico), seus estudos bíblicos não procuram saber se o cristianismo é verdadeiro. Seus estudos procuram demonstrar como o cristianismo é verdadeiro. Sendo estudiosos eles ouviram falar das origens pagãs do cristianismo, mas como cristãos eles não acreditam. Você não irá ouvi-los falar das origens pagãs do cristianismo.

Acha que estou inventando isso ? Eis a lista de estudiosos de língua inglesa que examinaram a teoria das origens pagãs e concluíram que não houve adoção das idéias pagãs pelo cristianismo. Essa lista foi apresentada pelo Reverendo (repararam no título ?) Bruce Manning Metzger, estudioso partidário da não-adoção das idéias pagãs pelo cristianismo. Todos os estudiosos nesta lista sãoclérigos cristãos !

Samuel CheethamUm líder religioso da Igreja Anglicana, escreveu uma história da igreja cristã, porém é mais conhecido por sua obra intitulada “Dictionary of Christian Antiquities”.

H. A. A. Kennedy, um teólogo cristão.

J. Gresham Machen – um dos mais articulados defensores da teologia cristã ortodoxa contra as tendências racionalizantes e liberalizantes do início do século XX.

A. D. Nock, Dr. em divindades e famosos apologista cristão.

Hugo Rahner, sacerdote católico e teólogo cristão.

As pessoas que se preocupam com as origens cristãs a ponto de estudar e escrever sobre o assunto – estudiosos do assunto – geralmente fazem isso exatamente porque inciam com a idéia de que o cristianismo é verdadeiroque ele não tem origens pagãs. Eles não estudam se o cristianismo é verdadeiro, eles estudam como ele pode ser verdadeiro.

Finalmente, os estudos liberais modernos do novo testamento (que não levam a bíblia ao pé da letra) deixaram de acreditar que os evangelhos são históricos, mas acreditam na idéia básica das lendas de Jesus, sendo os evangelhos estórias “meia boca” imperfeitas de segunda ou quinta mão, de uma pessoa chamada Jesus. Os estudos liberais mostram como a discussão literária inteligente pode descobrir o verdadeiro significado de Jesus a partir das estórias imperfeitas dos evangelhos aparentemente verdadeiros. Os liberais não verificam se isso pode ser feito, nem se a história básica da lenda de Jesus é verdadeira. Os liberais ouviram falar das origens pagãs do cristianismo, mas isto entra em conflito com o axioma não examinado que justifica o trabalho de suas vidas, e eles não acreditam. Você apenas os ouvirá falar com desprezo das origens pagãs do cristianismo.

Onde encontrar comparativos religiosos do cristianismo e outras religiões antigas ?

Matricule-se em algum curso na faculdade mais próxima, e você ouvirá falar muito nas semelhanças e diferenças entre o cristianismo e outras religiões modernas. Para ver o que digo, veja as descrições de cursos do departamento de religião da sua universidade favorita, por exemplo Harvard (claro que você provavelmente não irá até Harvard; faça uma pesquisa. Nota do tradutor). Há muitas comparações, certo ? Cristianismo comparado ao Judaísmo, cristianismo comparado ao Islã, ao Hinduísmo, Budismo, há muitas comparações.

Agora procure cursos que comparam o cristianismo ao Osirismo, Mitraísmo, Eleusismo, Platonismo, ou qualquer religião ou filosofia pagã antiga. Encontrou algo ? Não. Não há nada, nada ! Isso surpreende.

Afinal, o cristianismo iniciou em meio a cultura pagã. Antes de se converterem, muitos dos primeiros cristãos eram pagãos. Ainda assim nossa cultura moderna desconhece qualquer similaridade entre as idéias pagãs antigas e as idéias cristãs antigas. Desconhece ! É como se 3 mil anos de história religiosa ocidental nunca tivesse existido.

Por que ?

Porque ninguém pensa em perguntar. Pregadores, cristãos, estudiosos cristãos conservadores ou liberais, ou não cristãos desinteressados, todos veem o cristianismo como uma marca d’água – haviam religiões primitivas politeístas pré-cristãs, e então surgiu o cristianismo. Vemos desta forma porque as idéias da cultura moderna acerca das origens do cristianismo vem da versão cristã da estória, a versão escrita pelos primeiros cristãos, para cristãos, recontando a estória de forma que os fatos se encaixem na teologia cristã romana.

A teologia cristã romana imagina o cristianismo Big Bang: milagroso, único, descontínuo. Havia religiões primitivas politeístas pré-cristãs, então Jesus trouxe novas idéias radicais (baseadas no judaísmo, porém novas) acerca de deus e dos homens. Esta é a estória cristã. É assim que enxergamos.

Como a versão cristã se tornou a única que conhecemos ? Eis como:

No início a única versão das origens cristãs que sobreviveu a antiguidade foi a versão escrita pelos vitoriosos cristãos romanos.

A estória regulamentar das origens cristãs foi escrita por um bispo católico romano

Depois que o imperador romano Constantino se converteu ao cristianismo (ano 312) ele disse a seu amigo Eusébio que escrevesse como foi a história do início do cristianismo “após a publicação dos evangelhos”. Eusébio não era apenas o amigo do imperador, era também o bispo de Cesareia. Um cristão. A mais velha história das origens cristãs, a obra “História da Igreja” de Eusébio, foi escrita por cristãos, para cristãos. Ela dá a versão cristã romana da história.

E as outras versões cristãs de suas origens ? Elas foram suprimidas. Uma razão pela qual a versão que recebemos das origens soa plausível é que não há outra versão para comparar.

Não há versão pagã da estória das origens cristãs. Mesmo no segundo e terceiro séculos depois de Cristo, o cristianismo não impressionou muito nem os gregos, nem os romanos, e certamente no seu início, no primeiro século, nenhum pagão – nem gregos, nem romanos, nem judeus, nem thracianos, nem egípcios, etc – conheciam ou se importavam com a minúscula nova seita para escrever sua história. Não há versão contemporânea pagã das origens do cristianismo.

Houve relatos pagãos posteriores. Celso escreveu no segundo século. Porfírio de Tiro escreveu quinze livros contra o cristianismo no terceiro século. Mas nenhum destes livros eram relatos históricos, eram comentários baseados na escrita e lenda cristã. Comentários desfavoráveis. De qualquer forma eles foram banidos e queimados, e apenas fragmentos restaram.

Você não ouve falar das origens pagãs do cristianismo porque a história que sobreviveu à antiguidade foi a versão católica romana de Eusébio, escrita por cristãos romanos, para cristãos romanos.

Qual é o ponto principal ?

Cristão ou não, você tem uma perspectiva cristã da unicidade do cristianismo – é a única perspectiva que você conhece. Não importa o que acreditamos acerca da veracidade do que é dito na manhã de domingo da igreja cristã; vemos o cristianismo cristalizado – havia religiões primitivas politeístas pré-cristas, e então surgiu o cristianismo.

Não é verdade.

POCM mostra o porquê de isso não ser verdade.

Alexandria, Egito – ano 415

Enfurecido por uma questão doutrinária acerca da verdadeira natureza de Cristo, Cirilo, patriarca cristão de Alexandria, incita um massacre contra aqueles que negam sua teoria. Os correligionários de Cirilo afirmavam sua fé queimando as casas de oponentes doutrinários e expulsando comunidades inteiras da cidade. Em um fatídico dia Hipátia – uma estudiosa não cristã, filósofa, e professora renomada no mundo mediterrâneo por sua devoção ao aprendizado e iluminação – montou em sua carruagem e se dirigia à Grande Biblioteca de Alexandria. Uma turba se reúne, entoando protestos contra ela.

Os participantes da turba se aproximam, param a carruagem de Hipátia, agarraram-na, puxam-na para a rua onde mãos ávidas despem-na, deixando-a nua. Zombando dela eles a arrastaram para uma igreja onde os oficiais cristãos imediatamente dilaceraram seu corpo.

Gibbon descreve a cena: “Sua carne foi separada de seus ossos com o uso de conchas de ostras afiadas, e seus membros, ainda tremendo, foram lançados às chamas. [Decline and Fall Ch. 47]

Por que mencionamos o assassinato de Hipátia ? Porque sua história ajuda a responder a pergunta que você já deve estar se fazendo: Ok, se cristianismo tem origens pagãs, por que nunca ouvi falar nisso ?

A história é escrita pelos vencedores. Você nunca ouviu falar das origens pagãs do cristianismo porque quando os cristãos institucionalizaram a igreja no início dos anos 300, sua reação à competição pagã foi negar e suprimir os ensinos pagãos. Queimar escritos pagãos. Expulsar comunidades dissidentes para o deserto. Assassinar estudiosos pagãos.

Funcionou bem. Tão bem que a palavra pagão se tornou pejorativa. Tão bem que muito do entendimento atual destas fés está disponível somente porque estudiosos reconstruíram a teologia pagã ao ler as entrelinhas da propaganda cristã anti-paganismo. – a literatura pagã original foi perdida nas fogueiras da supressão.

Você conhece a versão cristã da história religiosa porque o paganismo foi suprimido

Vamos no assegurar de que você entende qual o significado de pagão que POCM tem em mente

Pagão tem muitos significados:

Roma antiga

Os pagãos antigos não se denominavam assim. Para romanos de antes do quarto século pagus era uma palavra latina que significava aldeia ou interior. Um paganus era um aldeão ou pessoa do interior, uma nuance sugeria caipira.

O significado “não cristão” para a palavra pagão foi inventado pelos cristãos. Aconteceu assim: o sucesso político do cristianismo ocorreu na cidade de roma, com a conversão do Imperador Constantino no ano 312. Constantino e posteriores imperadores cristãos tinham poder ilimitado para cobrar impostos, agir fora da lei, regular e usar outras formas para suprimir as demais religiões – e eles fizeram uso disso. Estes poderes eram mais fortes nas cidades. No interior, distante das espadas ensanguentadas da supressão romana, as religiões anteriores perduraram nas aldeias, entre os pagani.

No final do quarto século, oficias da igreja cristã usaram o termo pagão para ridicularizar as antigas fés pré-cristãs, chamando-as de religião de caipiras.

POCM tem em mente o significado “religião antiga não-cristã” – sem a nuance de caipira. Quando falamos em origens pagãs do cristianismo estamos falando de civilização e religião antiga em geral.

Atualmente pagão geralmente descreve religiões que veneram a Mãe-Terra que objetivam por a vida em harmonia com os ritmos das estações. Há muitas bruxas e incenso associadas a isto. De qualquer forma, este não é o significado de pagão que POCM tem em mente.

O usos cotidiano moderno herda a nuance pejorativa do quarto século. Pagão significa não civilizado, não cristão ou bárbaro. E sugere dissolução moral e sexual. Este também não é o significado de pagão que POCM tem em mente.

Fonte: http://www.pocm.info/getting_started_victors_history.html

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