Como configurar a rede sem fio do Macbook no Fedora

Se você instalou o Fedora em um Macbook e está se perguntando ¨como usar a rede sem fio¨ então este post é para você.

Os Macbooks têm chips Broadcom mas nem todos os chips têm suporte completo. Com o Fedora instalado, acessa o terminal e digita:

lspci -vnn -d 14e4:

Isso vai exibir as informações acerca dos dispositivos da Broadcom. Após isso confere a tabela em

http://linuxwireless.org/en/users/Drivers/b43

e vê se o teu chip é compatível. Basta comparar os números entre colchetes, separados por dois pontos(:). Nessa tabela você pode verificar qual driver (software que faz a interface entre o sistema operacional e o dispositivo) deve utilizar. Na segunda tabela há indicações do driver de software livre, versão do wl (driver proprietário da Broadcom), firmware (software que roda no chip) e extrator de firmware (software que extrai o firmware presente em um driver). Nessa tabela há links para baixar o driver, de onde extrairemos o firmware. Você precisa ter o extrator de firmware indicado na tabela instalado em seu sistema e fazer o download do driver proprietário para extrair dele o firmware necessário para o funcionamento do driver livre.

Se você não tem o extrator de firmware instalado, instala-o com o comando yum install ¨nome do extrator” (sem aspas). Tendo o extrator instalado e feito o download do driver proprietário, vamos agora extrair o firmware.

Descompacta o arquivo do driver que você baixou. Executa o comando

sudo b43-fwcutter -w /lib/firmware ¨pasta onde você extraiu os arquivos do driver (sem as aspas)¨/linux/wl_apsta.o

(caso o extrator indicado seja o b43-fwcutter, por exemplo). Isso gravará os arquivos do firmware na pasta /lib/firmware, local padrão para armazenamento de firmwares. Após isso basta reiniciar o teu Macbook e conectar-se à rede sem fio.

Por que usar o driver livre ao invés do proprietário ?

Bem, porque o driver livre tem mais funcionalidades, segundo a Linux Wireless. O driver livre tem os modos de acesso Monitor e Ponto de acesso.

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Casanova – o homem e o mito

Portrait of Giacomo Casanova made (about 1750-...

Image via Wikipedia

Já ouviste a história de Giacomo Girolamo Casanova de Seingalt ? Provavelmente sim. Você deve ter ouvido dizer que ele foi um dos grandes sedutores da idade contemporânea. Talvez até tenha visto o filme Casanova de 2005 dirigido por Lasse Hallström com Heath Ledger como protagonista.

Mas você conhece o homem por trás do mito ?

Assim que se formou em direito ele conheceu o senador veneziano Alvise Malipiero que foi seu tutor.

Malipiero ensinou a Casanova que a tentação chega às mulheres pelo ouvido e que se deve oferecer às mulheres proteção econômica e sigilo absoluto.

Casanova traiu o senador se envolvendo com a amante desse e teve que fugir de Veneza jurado de morte por Malipiero.

Segundo o sexólogo americano Vern Bullough a hiperssexualidade de Casanova era a válvula de escape  de seu quadro maníaco-depressivo e psicopático.

Já os autores Georges Vigarello e Jean Birrell, em seu livro História do estupro, indicam que muitas das conquistas do sedutor podem ter sido frutos de estupro.

Após a saída de Veneza Casanova trabalhou como escrivão no Vaticano e escrevia as cartas amorosas dos cardeais às suas amantes (alguém aí leva a séria essa instituição ?).

Depois de algumas diversas profissões voltou a Veneza e foi preso por atentado ao pudor, tendo fugido da prisão.

Foi a Paris e aplicou o golpe da alquimia. Envolveu-se com uma marquesa casada e teve novamente que fugir.

Chegando em Londres usou o dinheiro dos golpes na França e abriu um puteiro.

Nesta fase na França ele adquiriu gonorréia e, embora não fosse a primeira vez que ele adquiriu uma doença venérea, a essa altura a doença aliada à idade e as noitadas pesava sobre ele.

Com um novo protetor, Sebastiano Foscarini,  voltou a Veneza e arrumou um emprego na satânica Inquisição.

Foscarini morreu em 1875 deixando Casanova sem seu emprego na inquisição e sem sua proteção.

Com mais de 60 anos e na bancarrota pois gastava todo seu dinheiro com as mulheres, ele passou o resto de seus dias como bibliotecário em Boêmia, onde era conhecido como um velho ranzinza.

Foi então que ele escreveu seu livro A história da minha vida.

Nasceu assim o mito.

Fonte: Revista Super Interessante edição 267-A 2010

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O cristianismo e o paganismo compartilham ideias fundamentais

O cristianismo e o paganismo  compartilham ideias fundamentais


 

Ao ler nessa série o que os povos antigos escreveram sobre suas religiões você descobrirá que a cultura ocidental antiga tinha ideias padronizadas acerca do destino eterno das almas humanas e dos deuses e seus poderes e lugar no universo – e que o cristianismo adotou essas ideias.

A seção de ideias pagãs é a mais importante da série “As origens pagãs do mito de cristo” pois demonstra as coisas  que as religiões pagãs antigas  e o cristianismo têm em comum.

Um destaque para a diretiva do site original POCM: Na seção fatos mostramos evidências. As religiões pagãs tinham homens divinos, paraíso, salvação, milagres, etc. Na seção razões analisaremos se o cristianismo realmente adotou essas ideias. Mas para que você entenda ao máximo a seção fatos é necessário que você entenda o sentido de ‘adotar’ que o site POCM usa. Vamos começar por isso.

Há uma lógica na apresentação das ideias pagãs do site POCM. É recomendável que você siga a sequência de posts na ordem proposta.

“Adotar ideias” não significa que Jesus nunca existiu

Batismo pagão, o sacramento da purificação pela água durante a iniciação nos mistérios de Isis


Alguns não cristãos afirmam que Jesus nunca existiu. O autor não se considera apto a decidir isso. Talvez Jesus tenha existido, talvez não. Não sabemos. Isso não importa, pelo menos até sabermos de onde vêm nossas estórias acerca de Jesus. Essas estória foram inventadas. São apenas ideias pagãs escritas por mentes pagãs.

Alguns cristãos pensam que mito significa a mesma coisa que “totalmente inventado e que nunca existiu”. Não é isso. Pode ser que Jesus foi uma pessoa histórica real, mas certamente ele se misturou a estórias míticas.

Já basta ? Ainda não. Sabemos com certeza que alguns de seus seguidores fizeram isso. Há muitos evangelhos apócrifos antigos acerca de Jesus. Então mesmo que Jesus tenha existido é absolutamente certo que os primeiros cristãos contaram mitos acerca dele. A única questão é “Todas a estórias mágicas dos pagãos são inventadas e as estórias mágicas cristãs são reais e históricas ?”

Essa série não afirma que Jesus nunca existiu.

“Adotar ideias” não é cópia exata


Jesus é cópia de um deus pagão ?


Talvez você tenha conhecimento de sites ou livros que listam incríveis coincidências entre as estórias de Jesus e as de outros deuses antigos. Nascido numa manjedoura (ou caverna), em 25 de Dezembro, de uma mãe virgem e de um pai de nome José. Teve 12 discípulos. Morreu numa cruz, ressuscitou no terceiro dia. Coisas desse tipo.

O problema é que não é bem assim. O único lugar onde se encontra isso é em livros modernos onde um amador ansioso cita alguém que citou um outro alguém. Investigai essas afirmações até suas origens no século 19 e descobrireis que alguém simplesmente inventou isso. A evidência antiga simplesmente não inclui deuses com 12 discípulos nascidos em manjedouras em 25 de Dezembro ou qualquer conceito de mito idêntico. Jesus não é uma cópia mito-a-mito nem elemento-a-elemento de qualquer deus antigo. A página que trata do nascimento virginal dá um exemplo em detalhes (tradução a ser postada ainda), o nascimento de Jesus não é um plágio de Horus.

POCM não afirma que Jesus é uma cópia exata de alguma religião pagã.

“Adotar ideias” não significa “o deus que nasceu e ressuscitou número 47”

No fim do século XIX e nos anos 20 e 30 do século XX estudiosos místicos tinham a teoria de que muito povos antigos tinham deuses que morreram e ressuscitaram, por exemplo, Adonis, Atis, Osiris, Mitra e Tamuz. Deuses que morreram e ressuscitaram eram supostamente um conceito cultural e, diziam os místicos, nossas estórias acerca de Jesus foram inventadas para se encaixar nos padrões da convenção “deuses mortos e ressuscitados”.

Eventualmente o entusiasmo por essa teoria desapareceu, supostamente por falta de evidência, embora o preconceito dos estudiosos tenha contribuído. O autor do POCM não lamenta esse desaparecimento. A evidência de tal teoria é fraca e parece um tanto simples demais.

E no sentido “cristianismo adotou ideias pagãs” essa teria é desnecessária. Não é preciso um paralelo mito-a-mito dessa teoria para ver que as estórias de Jesus se encaixam perfeitamente com a concepção de mundo que as religiões da cultura antiga têm.


POCM não afirma que as origens pagãs de cristo são outro exemplo de convenção cultural de deus morto e ressuscitado.

“Adotar ideias” é assimilar ideias comuns à cultura


Compra uma bebida saudável e refrescante como Mountain Dew e repare que na mesma prateleira verás bebidas que são muito similares. Bebidas gasosas de água com açúcar em latas de alumínio com mesma capacidade e tampa.

Os funcionários de Mountain criaram a bebida Dew apenas copiando de alguém em particular a ideia de colocar água açucarada e gasosa em lata de alumínio ?

Copiaram a Coca-Cola, Pepsi ou Fanta ? É claro que não. Água açucarada e gasosa em lata de alumínio é refrigerante. A ideia de refrigerante é parte de nossa cultura. Dew tem aparência semelhante a todos os outros refrigerantes, não porque é uma cópia direta deles, mas porque nossa cultura moderna tem essa ideia de refrigerante, e Dew é apenas mais um. Quando uma pessoa dos dias atuais cria um novo refrigerante essas são as coisas que se usa.

 

Esse é o significado de “adotar”que POCM usa



Adotar significa apenas “aceitar e incorporar ideias de sua cultura” ou “absorver as ideias de sua cultura”

POCM não afirma que há uma vil conspiração dos  povos antigos


O autor não descobriu a chave secreta para o verdadeiro significado da bíblia. A resposta de POCM é simples e chata: o cristianismo é um produto social de seu tempo e espaço. Ele não criou seus conceitos fundamentais – paraíso, inferno, almas, vida eterna, milagres, profecias, anjos, deuses, filhos de deuses, homens divinos que caminhavam e falavam, etc.  – ele apenas usou os conceitos da cultura de onde surgiu. Quando os povos antigos criavam uma nova religião eles usavam esses conceitos.

A propósito… Diferente


A Dew é diferente da Coca ? Claro. Coca é escura e Dew é clara. A lata de Coca é vermelha e a de Dew é verde. Coca tem gosto de Coca  e Dew tem gosto de Dew. Mas Dew e Coca são refrigerantes.

Nossa ideia de refrigerante descreve somente alguns aspectos da bebida – água açucarada e gasosa numa lata. Outros aspectos não fazem parte do conceito refrigerante – sabor, cor da bebida, cor da lata, preço, etc. Isso significa que todo refrigerante é diferente de todo outro refrigerante. Coca é diferente de Pepsi, que é diferente de Fanta, que é diferente de Dew.

Os prosélitos de Jesus gostam de imaginar que Jesus não é um deus pagão porque Jesus é diferente em ou outro detalhe de outros deuses pagãos.

Falaremos mais sobre isso em outra seção (tradução futura).

Fatos que conhecerás e questões que fará a si mesmo

Você conhecerá fatos. Você lerá o que os antigos escritores escreveram e aprenderá o que eles pensavam acerca dos deuses, almas e a forma do universo. Descobrirá que os pagãos antigos tinham escravos. Sabia que os antigos judeus tinham escravos ? Deus disse à eles que isso era aceitável. Sabia que os primeiros cristãos também mantinham escravos e que segundo a bíblia Deus disse que isso era aceitável ? É verdade. Esses são fatos.

Saberás que os antigos pagãos acreditavam que os sonhos eram mensagens enviadas por deus(es). Assim como os judeus e cristãos. Esses são fatos.

Mais um fato: antigos pagãos acreditavam que demônios eram seres reais com poderes milagrosos. Assim como os judeus e cristãos.

Assim como judeus e cristãos, os pagãos antigos acreditavam que os milagres aconteciam pelo poder divino.

Assim como cristãos e alguns judeus, os pagãos antigos acreditavam em deus e na vida eterna da alma humana.

Julgamento perante Osiris, Livro dos mortos egípcio, 1250 AC

Questões para se pensar enquanto lês essa série

A questão básica é “De onde vêm as ideias do cristianismo ?”. Comecemos com a escravidão. Os pagãos acreditam na escravatura. Os primeiros cristãos cresceram conhecendo a escravidão pagã e também fizeram uso de mão de obra escrava. Você há de concordar que os cristãos não reinventaram a escravidão. Concordamos que os cristãos adotaram a escravidão usada pelos pagãos e judeus.

Enxergou a trajetória dos fatos e a dissertação dessa série ? Veja  o progresso a partir de de coisas estranhas (para nós) que o cristianismo certamente adotou, como a escravidão. O cristianismo deve ter adotado também sonhos mágicos, demônios e coisas não estranhas a nós que fazem parte do núcleo de nossa fé.

Enquanto lês essa série você deve se perguntar:


Que raciocínio apóia a conclusão de que o cristianismo adotou a escravidão ?

Quando aplicamos o mesmo raciocínio as sonhos, demônios, milagres, Deus e a vida eterna da alma humana obtemos a mesma resposta o “cristianismo adotou essas ideias” ?

Se não, por que não ?

Falaremos mais sobre essa linha de raciocínio futuramente.

Palpites do autor

 

Quero que você conheça os fatos, pense nas razões e decida por si mesmo

Os escritores do novo testamento cristão sentaram-se com a versão revisada do evangelho de Mitra sobre a mesa de modo a aproveitar as melhores partes, ponto a ponto ? Não. Não seja tolo.

O cristianismo não tem origens pagãs no sentido de que os primeiros cristãos copiaram  de forma exata lendas e mitos. O cristianismo tem origens pagãs no sentido de que as ideias religiosas ao redor das quais o cristianismo foi criado são exatamente as ideias religiosas comuns na época que o cristianismo surgiu. A teologia cristã fundamental é a teologia pagã fundamental, os primeiros cristãos simplesmente adotaram os conceitos religiosos de sua cultura. Eles mudaram algumas coisas e inovaram ? Com certeza. Todos que criaram uma religião fizeram o mesmo. Mas as ideias mais básicas do cristianismo  – Deus, o Filho de Deus, milagres como sinal de divindade, salvação, batismo, eucaristia, almas, moral, paraíso, inferno e muito mais – são todas ideias pagãs.

O cristianismo é uma religião pagã antiga

O que aprenderás na seção ideias pagãs é que muitas (porém não todas) religiões antigas eram religiões de salvação. Em geral os povos antigos do mediterrâneo acreditavam que viveriam após a morte ao lado de pessoas boas tendo vidas pós morte mais felizes que pessoas más.

Muitas religiões foram criadas para dar a seus seguidores uma situação melhor após a morte. Essa situação melhor dependia da religião: em algumas religiões misteriosas gregas havia os Campos Elíseos, para seguidores de Isis e Osíris havia a eternidade com Osiris no paraíso subterrâneo, para muitas religiões e filosofias havia o retorno da alma desencarnada para o único deus no céu. Algumas religiões antigas até chamavam isso de salvação. E tudo isso veio muitas gerações antes do cristianismo – centenas e centenas de anos.

As questões te convencerão de que não há análise razoável e consistente das evidências que indique que o cristianismo é fundamentalmente diferente de outras religiões pagãs antigas. O cristianismo é uma religião pagã antiga.

 

Na próxima vez que tu estiveres na igreja…


 

Faze esta pergunta a ti mesmo:

Que parte do que ouço era novo e único no cristianismo e que parte já era integrante de outras religiões numa cultura na qual novas religiões eram repetidamente criadas fazendo uso de velhos conceitos ?

Quando falarem de José sabendo do nascimento de Jesus em um sonho mágico enviado por Deus, e do homem-deus Jesus expulsando demônios, fazendo milagres, descendo e subindo aos céus, lembra-te dos sonhos dos antigos pagãos, dos homens divinos pagãos, dos demônios pagãos e do paraíso pagão no céu, acerca dos quais tu leste aqui.

Então estarás ciente de que tudo isso precedeu o cristianismo por centenas de anos !

Uau !

O cristianismo e o paganismo  compartilham ideias fundamentais

 

Um leitor tenta refutar os escritor do autor

Meu nome é Wade Duroe e gosto de raciocinar sobre os assuntos A resposta de Greg, o autor dessa série
Algumas pessoas acreditam que a estória de Jesus não passa de mitos e contos adotados de outras culturas e religiões e adaptados à visão de mundo judaico-cristã.Mas só porque uma estória é repetida de tempos em tempos, ou de cultura a cultura, ou de religião a religião, não significa que qualquer uma delas é verdadeira ou não. Cada estória, contada e recontada, deve ser analisada por seus próprios méritos. A análise de Wade não leva em consideração o ponto de vista dessa série.
1 – O cristianismo não copiou mitos. O que ele copiou foi o modelo conceitual de universo dos antigos ocidentais, inclusive as ideias religiosas ao redor das quais cada religião antiga criou seus próprios mitos.2 – POCM afirma mais que repetição. Para essa série houve cópia.3 – POCM não afirma se os mitos são ou não verdadeiros, apenas afirma que foram copiados.
É possível que a frequencia de repetição através de tempos, culturas e religiões dê credibilidade para um núcleo de verdade contido na estória.Os cristãos não negam que elementos do nascimento e vida de Jesus Cristo apareceram nas estórias e contos de outras religiões e culturas. Não afirmamos que tudo que ocorreu na vida de Jesus era único.Mas afirmamos que a repetição dessas estórias e contos dá substância e credibilidade a um núcleo de verdade, o qual acreditamos que Jesus Cristo concretizou.

Afiramos que as estórias, contos e mitos de outras culturas e religiões foram apenas uma dica da revelação feita por Jesus Cristo.

Afirmamos que a notoriedade dessas estórias todas ocorridas na vida de Cristo dá credibilidade à Sua estória. Ele nasceu de uma virgem como ato especial criativo de Deus Pai. Seu precursor, João Batista, teve seu anuncio de nascimento e o próprio nascimento semelhantemente milagroso. Uma estrela indicou o nascimento de Jesus. Ele foi louvado por sábios estrangeiros assim como pelos anjos no céu. Ele curou doentes, ressuscitou mortos, expulsou demônios, fez coxos caminharem e cegos enxergarem. Caminhou sobre as águas e alimentou 5.000 pessoas com alguns pães e peixes.

Ele afirmou ter autoridade para perdoar pecados. Chamou-se de Senhor do Sábado. Predisse seu próprio sofrimento e morte. Foi crucificado, morto e sepultado. Ressuscitou dentre os mortos e apareceu a seus seguidores. Ascendeu aos céus.

Predisse seu retorno em algum dia.

Aceito a afirmação de Wade que diz que os mitos cristãos são essencialmente os mesmos que os mitos pagãos anteriores.Wade e eu concordamos basicamente. POCM afirma que não há análise consistente e razoável das evidências que demonstre que o cristianismo é fundamentalmente diferente de outras religiões pagãs antigas. O cristianismo é uma religião pagã antiga.Wade concorda. Ele é incapaz de dar uma explicação verdadeiramente possível e racional de causa e efeito dos fatos que apóiam a verdade de seus mitos. Sua solução é explicar os fatos com a mágica de Deus. Wade afirma que as semelhanças aconteceram por conta de algum tipo de pré-revelação mágica.

Não sei se Wade está certo ou errado pois soluções mágicas como a dele não podem ser analisadas racionalmente. Deus é onipotente e pode fazer qualquer coisa. A mágica de Deus pode sobrepujar quaisquer fatos contrários.

A propósito, a análise de Wade data do segundo século DC, e é de Justino Mártir. Como Wade, Justino via as profundas semelhanças entre o cristianismo e o paganismo e percebia que a análise racional levava à conclusão de que o cristianismo adotou as ideias pagãs.

Ele e outros padres evitaram a conclusão inevitável através de uma solução mágica sonhada por eles, a saber, a imitação demoníaca.

Dentre os homens e deuses de outros tempos, culturas e religiões podemos encontrar exemplos isolados de muitos desses eventos.Mas você não pode encontrá-los juntos na estória de um único homem. Na vida de Jesus Cristo as estórias e mitos que aparecem em partes em outras culturas e religiões estão cumpridas. Wade repete sua análise mágica mas não apresenta evidência ou análise racional para apoiá-la, pois isso não existe.
A estórias acerca de Jesus Cristo estão registradas na história pelos escritores dos evangelhos, e foram profetizadas no velho testamento pelos profetas e apoiadas pelas descobertas arqueológicas.A verdade é mais estranha que a ficção. Os velhos contos e estórias mitológicas que foram contados em vários tempos e lugares apontavam para algo muito maior do que qualquer um pudesse imaginar: Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Messias, nosso Salvador. Wade repete sua análise mágica e para apoiá-la ele afirma que os evangelhos são históricos e que as estórias mágicas neles são verdadeiras. Wade não tem evidências, nem fatos nem análise racional que apóie suas afirmações.
A análise de Wade é um esmagador exemplo do declínio do cristianismo. Mais de 170 anos de estudos, que datam pelo menos desde J. Strauss’ Life of Jesus Critically Examined (1835), demoliram qualquer possível defesa racional dos evangelhos como história. Crentes conservadores são incapazes de refutar a análise de Strauss mas são capazes de ignorá-la. E eles ignoram.Estudos conservadores geralmente iniciam com o axioma “as estórias bíblicas são verdadeiras” e argumentam a partir daí. Legal. Podemos ser amigos mas eis o resultado:1 – Crentes conservadores – Wade, por exemplo – não estão cientes dos fatos mais básicos e razões que apóiam as conclusões dos estudos críticos. Não é que eles não acreditem nas razões, eles apenas não as conhecem.

2 – Estudos conservadores falham em demonstrar fatos e razões críticos, fazendo do estudo conservador um “exercício dentro de casa”, persuadindo somente aqueles que já estão persuadidos.

3 – Apologética conservadora, como n ocaso de Wade, frequententemente se reduz a uma reunião animada e entusiástica, repetindo o que você acredita, repetidas vezes, como se repetir constantemente fosse transformar aquilo em verdade.

Insistência teimosa na verdade do mito antigo é, em minha opinião, uma receita para o declínio e queda da religião, além de te fazer parecer tolo.

A cultura ri de você. O pior é que enquanto eles levam seus mitos à irrelevância os crentes conservadores estão levando para o buraco também os valores – moral, crença no certo e errado, bom e mau – que estiveram no centro de nossa cultura e sucesso.Isso é ruim.

Fonte: http://www.pocm.info/pagan_ideas_getting_started.html Continuar lendo

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Software Structorizer – Elaboração de diagramas Nassi–Shneiderman

O software Structorizer é licenciado sob a GPL 3 e desenvolvido na linguagem Java.

Sua utilidade é produzir diagramas que representam um algoritmo de programação.

Se você não é um exímio desenhista então achará interessante usar uma ferramenta que te auxilie na produção desses diagramas, e além disso você poderá impressionar os demais com diagramas desenhados rapidamente e com clareza.

Eis um exemplo de diagrama produzido com o Structorizer que apresenta um algoritmo de cálculo de nota média:

 

diagrama Cálculo de nota média no Structorizer

 

Pode-se usar esta ferramenta para exportar um arquivo de imagem no formato png (usado nesse post) ou usar o formato nsd, o qual permite adicionar comentários ao diagrama.

O software está disponível nos idiomas português brasileiro, inglês, alemão, francês, holandês, luxemburguês, espanhol, italiano, chinês e tcheco.

A interface pode ser usada nos modelos Mac OS X ou Motif, entre outros, e pode-se personalizar as cores e fontes usadas no diagrama.

O aplicativo também tem um analisador que pode sugerir correções no algoritmo.

Mais uma ferramenta à sua disposição para apresentar os teus trabalhos escolares ou até profissionais.

O software pode ser encontrado em http://structorizer.fisch.lu/ (site em inglês).

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Os mistérios

Homens divinos que trazem a salvação

As chaves do inferno e  a garantia de salvação estavam nas mãos da deusa. A cerimônia de iniciação era um tipo de morte voluntária e a salvação ocorria pela graça divina.

Descrição da iniciação aos mistérios de Ísis.

Apuleio, Metamorphosis. Capítulo 11

Os mistérios … nos redimem das dores do inferno, mas se nós os neglicenciarmos ninguém sabe o que nos espera.

Platão, A República, Livro 2.7, (Quarto século antes de cristo)

Estamos falando das ideias que permeavam a cultura na qual o cristianismo surgiu. Vimos que os blocos fundamentais da religião antiga são familiares: seres divinos invisíveis com quem podemos conversar, persuadir e pedir ajuda e foco em ética e moral.

Mas até então parece que os antigos juntaram esses blocos de forma diferente do cristianismo (embora não seja diferente do judaísmo e seus templos e sacrifícios). A religião cívica tinha muito a ver com o controle do mundo através da barganha com seres divinos. Filosofia tratava de ética e moral (entre outras coisas) mas não tinha revelação divina e nem focava em salvação pessoal*.

*Falando claramente: a filosofia e os mitos incluíam várias ideias acerca da vida após a morte.

Uma terceira parte da religião antiga, as religiões misteriosas, focava a vida após a morte. Essas religiões adotavam a adoração de um homem divino (ou uma mulher divina) que falava e caminhava e que dava a seus fiéis uma vida após a morte melhor – salvação.

Deuses salvadores

Eu sei que é difícil acreditar que os deuses antigos eram salvadores, então comecemos com um pouco de Platão, que escreveu no século IV AC. Veremos uma religião misteriosa mais tarde.

Platão descreve os “mistérios”, os quais ele diz que nos redimem das dores do inferno.

Produziram uma grande quantidade de livros escritos por Mousaios (também conhecido como Moses) e Orpheu, … de acordo com tais livros eles faziam rituais, e persuadiam não apenas indivíduos, mas também cidades inteiras, a fazer expiações pelos pecados através de sacrifícios e agrados que duram cerca de uma hora livre, e que servem igualmente aos vivos e aos mortos, a algumas dessas expiações eles se referiam da seguinte forma:  mistérios que nos redimem das dores do inferno, os quais, se neglicenciados por nós, ninguém sabe o que nos espera.

Platão, A República, Livro 2.7, (Quarto século antes de cristo)

Citação antiga

E sem os tais mistérios, ninguém sabe o que acontecerá após a morte.

Os mistérios eram religiões que salvavam seus fiés do inferno, e lhes davam vida eterna, ou melhor dizendo, uma oportunidade melhor no que quer que a eternidade reservasse – assim como Jesus. Platão, no século  IV antes de cristo, disse assim.

Plutarco, no segundo século DC, diz o mesmo. Vejamos.

A salvação de Osíris

Osíris era um dos grandes deuses egípcios. Já no segundo milênio antes de cristo os egípcios acreditavam que ele julgava a bondade dos mortos. Se você vivesse a tua vida com bondade você passaria a eternidade no paraíso egípcio com Osíris. Se vivesses como uma pessoa má você acabaria morto.

Plutarco, aquele que escreveu o próxmo trecho, foi sacerdote do templo de Apolo em Delfos, Grécia, por 30 anos. Ele era sacerdote de Apolo, mas também adora Osíris. Se voce acompanha atentamente essa série, então não ficará surpreso com o serviço duplo dele.

De qualquer forma, nessa época Ísis e Osíris estavam na Grécia há mais de 400 anos, portanto é bem possível que Plutarco fosse um iniciado de seus mistérios. Ele era religioso, um fiel. Ele viajou ao Egito e descreveu a adoração de Ísis e Osíris lá e a teologia por trás disso. Agora respire fundo. Suas idéias acerca de Deus e religião estão prestes a mudar.

Plutarco, que era bom escritor, não tinha palavras para descrever quão boa a adoração de Ísis era, então usou alguns superlativos – “puro”, “brilha através da alma”, coisas assim.

A percepção do que é conceitual, puro, simples e que brilha através da alma como um relâmpago, dá a oportunidade de tocar e ver por uma vez. Por esta razão Platão e Aristóteles chamam essa parte da filosofia de mística, pois aqueles que foram além das conjecturas e questões confusas de todos os tipos criadas pela “Razão” (logos) procedem em grandes passos para o princípio primário, simples e imaterial, e quando eles de alguma forma entram em contato com a pura verdade desse princípio, eles pensam que têm a filosofia completa, como se ela estivesse ao seu alcance.

… este deus Osíris … está distante da terra, não contaminado, não poluído e puro de toda matéria que é sujeita à destruição e morte, mas para as almas dos homens aqui, que estão envolvidas em corpos e emoções, não há associação com esse deus a não ser uma obscura visão de sua presença através da percepção que a filosofia traz.

Mas quando essas almas são libertas e migram para o reino do invisível que nunca visto, que é imparcial e puro, então esse deus se torna seu líder e rei, já que é dele que eles dependem em sua contemplação insaciável e desejo de beleza incalcançável e indescritível pelos homens. Com essa beleza Ísis, como declara a estória antiga, está para sempre enamorada pela terra, perseguindo-a e unindo-se à ela, enchendo-a com todas as coisa justas e boas que favorecem as gerações.

Plutarco, Ísis e Osíris, 382.D – 383.A (Primeiro ou segundo século depois de cristo), – Você pode encontrar essa obra em: Babbitt, Frank. Plutarch Moralia, volume 5 (1936/ 1999), pg. 181- 5

Citação antiga

Para nossa sorte Plutarco não parou por aqui. Ele prosseguiu e explicou que a teologia da adoração de Ísis era uma união mística com a “Razão” imaterial e eterna. A palavra grega para “Razão” era “logos”. A mesma palavra e a mesma ideia de um ser divino eterno que você encontra no evangelho de João. “No princípio era a palavra(logos), … e a palavra(logos) era Deus.

A deusa dos sacerdotes de Ísis não era apenas uma deusa mágica (pelo menos não era apenas isso), ela era essa coisa eterna, imaterial, simples, brilhante, pura e espiritual. O tipo de coisa divina elevada para a qual falta palavras para descrever.

De acordo com Plutarco, que sabia pois ele estava lá, a adoração de Ísis e Osíris não dizia respeito a fábulas mágicas mas sim a uma união mística das almas humanas aspirantes por um deus trascendente e eterno.

Inacreditável.

Diz Plutarco: Enquanto estamos vivos ansiamos por união com deus.

Mas enquanto vivemos não podemios apreciar a bondade de deus. O melhor que podemos fazer é ter uma visão obscura da grandeza de sua bondade através da filosofia(Plutarco era um “nerd” rico).

Depois de nossa morte nossas almas deixam nossos corpos e viajam para estar com deus, onde tua lama passará a aeternidade contemplando a beleza inexeprimível e indescritível de deus.

Parece familiar ? Acho que sim.

Nossas almas são divinas e anseiam pela união com deus. Após nossa morte viajamos para o paraíso e passamos a eternidade contemplando a glória inexprimível e indescritível de deus. Isso é religião antiga ? Sim. É religião misteriosa antiga. Quem poderia imaginar ?

Religiões misteriosas

Relgiões misteriosas parecem religião de verdade. Elas têm ética e moral, além de associação pessoal com um deus ou deusa que viveu na Terra. O homem divino ofereceu uma proposta melhor para a vida eterna após a morte – mas não para todos, só para os fiéis que se uniram à sua fé numa cerimônica especial iniciática como aquela que Apuleio descreve como “um tipo de morte voluntária e salvação pela graça divina”*.

*Apuleio, Metamorphosis. Capítulo 11

Quantidade

Não havia apenas uma reliigão misteriosa, mas muitas. Ísis tinha seus mistérios assim como Dionísio e os deuses sem nome de Samotrácia. Muitos deuses que eram adorados publicamente na religião cívica regular também tinham seus mistérios.

Segredos

Os mistérios são  muito parecidos com o cristianismo. De fato, os próprios primeiros cristãos disseram que o cristianismo era um mistério. As profundas semelhanças são parte da razão por trás da popularidade das teorias do início do século XX que dizem que Jesus é uma cópia de outros mitos. Mas há um problema. Vejamos novamente aquele escrito de Plutarco…

A bondade pura, simples e brilhante de deus era tão boa e especial que poderia ser experimentada apenas uma vez na vida (durante a cerimônica de iniciação).

A percepção do que é conceitual, puro e simples e que brilha através da alma como um relâmpago, dá a oportunidade de tocar e ver por uma vez.

Plutarco, Ísis e Osíris, 382.D – 383.A (primeiro ou segundo século depois de cristo), – você pode encontrálo em: Babbitt, Frank. Plutarch Moralia, volume 5 (1936/ 1999), pg. 181- 5

E sendo tão especial ela não poderia ser revelada a pessoas de fora do grupo.

Na história das religiões mundiais esse pequeno fato tem grande importância.

A teologia dos mistérios era um segredo sagrado. Ninguém podia escrever ou disitribuir manuais das práticas dos mistérios e sua teologia. Nenhum historiador ou biógrafo podia descrever qualquer detalhe acerca do assunto. E era sério. Escritores antigos mencionam muito os mistérios, mas com uma exceção, qual seja, que sempre se evite revelar segredos sagrados. Como vimos eles ocasionalmente deixam implícito, ou dizem abertamente, que os mistérios trazem salvação, mas os rituais básicos e teologias das religiões misteriosas antigas se foram. Essas informações estão perdidas.

Isso impossibilita a comparação do cristianismo e seus rituais e teologia com as religiões misteriosas antigas. O cristianismo parece um  mistério ? Sim. Os primeiros cristãos se referiam ao cristianismo como mistério ? Sim. Podemos provar que as teologias e rituais são semelhantes ? Não, não podemos. Isso é muito tantalizante.

Fonte: http://www.pocm.info/getting_started_mystery_religions.html

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Filosofia

A filosofia dos povos antigos era sua religião

 

Para eles a filosofia era como uma religião sem revelação, do nosso ponto de vista

 

Estamos falando de como a religião antiga era qualitativamente diferente da religião moderna e de como ela servia a diferentes funções. Vimos anteriormente que a religião antiga incluía a religião cívica, a qual ajudava as pessoas a controlar o mundo através de barganhas com seres divinos.

 

A religião moderna é moralista. A religião cívica não, pelo menos não da forma que entendemos a moral. As pessoas não faziam a troca “Deus, cura-me desta doença, e prometo não pecar”. A troca deles era prática, do tipo “Deus, te dou estes belos bolos e incenso, os quais sei que gostas; agora, proteje-me de doenças”.

 

Não se engane. Só porque a religião cívica antiga não tratava a moralidade (pelo menos não da forma que entendemos a moral) não pense que os antigos não se preocupavam com a moral, certo e errado, bem e mal e a verdade absoluta. Eles se preocupavam com isso sim. Só que tratavam a questão com um tipo diferente de instituição. Enquanto usamos as escrituras e a palavra revelada de deus para entender o bem e o mal, eles usavam a filosofia. Quem imaginaria isso ?

 

Falaremos de filosofia antiga. Lembre-se de que enquanto tentamos entender como as instituições antigas se traduzem em termos modernos, é útil ver a filosofia como um de três tipos de religião antiga.

 

1ª Religião cívica

Função

a: barganha com os deuses para que estes causem bons acontecimentos.

b: acessar o poder dos deuses para predizer o futuro.

Religião pessoal, familiar, tribal, nacional e local.

 

2ª Filosofia

Função

moralidade

 

3ª Religiões misteriosas

Função

Contato pessoal com divindades e salvação.

 

A religião cívica não tinha teologia formal para responder questões de moral e propósito, e não foi necessário muito para perceber que os mitos da classe “os deuses fazem e só você não vê”  não eram explicações convincentes do funcionamento do mundo. Havia um vácuo a preencher.

 

Para os antigos,  especialmente a  maioria da aristocracia letrada, a filosofia não era remota, abstrata e teórica, porém fundamental para o entendimento do dia da dia do mundo e de suas identidades pessoais. As pessoas daquela época eram platonistas, estóicos ou epicúreos da mesma forma que hoje em dia são batistas, católicos ou ateus.

 

Filosofia – religião sem revelação

 

Atualmente religião e revelação são inseparáveis. Cristianismo, islamismo, bahaísmo, mormonismo – são religiões reveladas, baseadas na revelação direta de deus através de seu filho ou profeta – Jesus, Mohamed, Bahaulla, Joseph Smith. Os antigos não tinham religiões reveladas (ou pelo menos não muitas). Eles tiveram que produzir suas ideias de significado da vida e divindade sem um início “sólido” e revelado.

 

Aqueles que pensavam no significado da vida e divindade eram chamados de filósofos. Usamos a mesma palavra hoje me dia mas com significado bem diferente. É um erro nosso pensar nos filósofos antigos como teóricos de paletó de “tweed”. Eles eram teólogos.

 

A melhor forma de definir a palavra “filosofia” no sentido que eles usavam é – desconsiderando deidade e revelação – religião sem revelação. Em um mundo sem religião revelada os filósofos antigos tentaram entender quem é deus. Impressionante.

 

Os filósofos antigos desenvolveram ensinamentos éticos e morais que guiaram homens e impérios do mediterrâneo por centenas de anos.

 

Se estiver interessado em como os filósofos/teólogos antigos entendiam deus, o livro de Cícero, The Nature of the Gods, é uma ótima leitura.

Leia Cicero, [106 – 43 BC], um não cristão, descrevendo deus:

Deus habita o universo como seu governante, e domina as estrelas em seus cursos, e a mudança das estações, e todas as sequências variáveis da natureza, olhando abaixo para o mar e a terra, e protegendo a vida e os bens dos homens.

O poder divino é encontrado num principio racional que permeia inteiramente a natureza.

 

Cicero, The Nature of the Gods, Livro 1

Citação antiga

 

Entendeu ? A religião antiga tinha suas diferenças. A religião cívica, cujos seres mágicos podem fazer parecer que é “religião”, tinha mais a ver com a barganha com os deuses para controlar o mundo – função que não pertence à “religião”, como entendemos.

 

Filosofia tratava de ética e moral mas não tinha revelação – um recurso chave da religião do nosso ponto de vista. Por isso não nos parece uma religião.

 

Fonte: http://www.pocm.info/getting_started_philosophy.html

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A religião cívica

A religião antiga é diferente da tua religião

 

A religião antiga era diferente da nossa. A religião cívica, cujos seres mágicos pode dar a aparência de “religião”, tratava principalmente do controle do mundo através de trocas com os seres divinos – dificilmente se enquadrando na categoria “religião” da forma como a vemos atualmente.

A filosofia tratava de ética e moral, mas não tinha revelações, por isso não parece com as religiões atuais.

A religião antiga era diferente da nossa, mas não da forma que você provavelmente deve estar pensando. Se você é como a maioria das pessoas, você vê que a principal diferença é que nós temos um único Deus e eles tinham vários. Sim, claro*.

* Trindade: No teísmo múltiplo de certas igrejas cristãs, 3 deidades inteiramente distintas se confundem como sendo uma única. Deidades subordinadas da fé politeísta, como diabos, anjos (querubins, serafins, demônios e santos) não tem o poder de se combinar, e devem clamar individualmente adoração e propiciação. A. Bierce

Você descobrirá que a religião antiga era funcionalmente diferente da nossa. Ela servia a propósitos diferentes. Nossa religião foi reduzida a moral e salvação, principalmente. A religião antiga também tinha isso, porém tinha mais coisas. Por isso convém separar a religião antiga em partes. Assim…

 

Funções

 

Religião cívica

Barganha com os seres divinos para que estes tragam bons acontecimentos. Ter acesso ao poder dos seres divinos para predizer o futuro. Religiões pessoais, familiares, tribais, urbanas e nacionais.

 

Filosofia

Moral

 

Religiões misteriosas

Contato pessoal com a divindade e salvação.

 

Falaremos de religião cívica, filosofia e religiões misteriosas nos próximos parágrafos.

 

Religião cívica

 

Vimos anteriormente a diferença de visão de causa e efeito dos povos antigos em relação a nós. Eles não tinha leis naturais mecânicas e impessoais para explicar causa e efeito, por isso inventaram uma miríade de personalidades invisíveis e inteligentes que causavam os eventos que vemos na vida diária. Não será surpresa saber que era possível conversar, argumentar e pedir favores a esses seres divinos**

**Você pode adivinhar o nome do ser divino moderno que estou pensando agora mesmo, aquele com quem podemos conversar, argumentar e pedir favores ?

E porque os seus deuses causavam tantos eventos, os antigos se sentiam capazes de controlar o mundo através de barganha com os seres divinos. Desta forma o propósito e função da religião antiga era qualitativamente diferente da nossa.

 

A teoria

 

Se você fizer coisas boas para os seres divinos eles usarão seus poderes sobre-humanos para fazer coisas legais para você. Eles curam doenças, afastam tempestades, suavizam partos, te dão sorte no amor ou nos negócios, coisas assim. De tempos em tempos algum intelectual muito pretensioso escreve como foi que provavelmente isso aconteceu, mas na prática as pessoas não precisavam de doutrina formal para explicar o que qualquer um com meio coração (que para eles era o órgão dos pensamentos) podia ver como simples senso comum.

Que coisas boas as pessoas podiam fazer pelos deuses ? Apresentar libações de vinho. Sacrificar animais no altar dos deuses. Os intelectuais não tinham certeza de como funcionava, mas quando se queimava partes de animal, os deuses gostavam – algumas pessoas diziam que eles se alimentavam disso – da fumaça do fogo do altar. Eis um trecho do poema Ilíada de Homero, escrito talvez no século 8 AC.

“Quando os gregos queimavam cordeiros para o deus Apolo a fragrante fumaça de alguma forma O levava a ajudar-lhes em retorno. Confira as palavras dos antigos: Agora vem, perguntemos a algum homem santo … quem pode dizer por que Febo Apolo está tão irado, se por causa de algum voto, algum sacrifício, se pela fragrante fumaça de cordeiros, ou bodes, se de alguma forma podemos trazê-lo ao nosso socorro contra a desgraça. Ilíada de Homero (Século 8 AC), que pode ser encontrado em: Lattimore, Richmond. The Iliad of Homer (1951 / 1961), Citação antiga

 

A propósito

 

Seres divinos da idade antiga tinham poderes e habilidades muito além dos homens mortais, mas seus poderes eram sobre-humanos, não sobrenaturais. Veja que a fé dos povos antigos era muito maior que a nossa. Seus deuses não eram fantasmas espirituais efeminados refugiados em algum lugar imaginário que ninguém pode ver ou ir. Seus deuses eram elementos da natureza, seres reais vivendo vida reais (e eternas) no mundo real.

Depois do Noé babilônico, um homem chamado Utnapishtim sobreviveu ao dilúvio enviado pelos deuses; dilúvio que destruiu a humanidade, mas antes de encontrar terra seca de sua arca que os deuses disseram-lhe para construir, ele enviou pássaros. No início os pássaros retornaram. E posteriormente um não retornou. Opa, disse Utnapishtim, isso significa terra seca. Feliz, Utnapishtim sacrificou aos deuses. E os deuses sentiram o cheiro agradável da fumaça. Soltei um corvo. O corvo voou e viu as águas recuarem. Ele comeu, ataviou-se, levantou sua cauda e não retornou. Então tirei tudo do barco e fiz um sacrifício. Fiz uma oferta no pico da montanha, Coloquei jarros em grupos de sete No fundo deles coloquei essência de cana, pinho e murta. Os deuses sentiram a fragrância Eles sentiram a agradável fragrância Epopeia de Gilgamesh, enésima tabuinha, (início do segundo milênio AC) que pode ser encontrado em: Dalley, Stephanie. Myths From Mesopotamia; Creation, The Flood, Gilgamesh, and Others (1989 / 2000), pg. 113- 4] Citação antiga

Depois do Noé babilônico-bíblico um homem chamado Noé sobreviveu ao dilúvio enviado pelos deuses, dilúvio que destruiu a humanidade, mas antes de avistar a terra de sua arca construída conforme a instrução que os deuses lhe deram, ele enviou pássaros. Primeiramente os pássaros voltaram, até que um deles não voltou. Opa, disse Noé, isso significa terra seca. Feliz, Noé sacrificou aos deuses. E eles sentiram a agradável fragrância da fumaça, e se agradaram. Gênesis 8:20 Edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa, e queimou ofertas sobre o altar. 21 Sentiu o Senhor o agradável cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua juventude; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer. Velho Testamento, Gênesis Capítulo 7 Citação Antiga

Você sabia que a estória sobre Noé do Velho Testamento é uma cópia do mito babilônico surgido há séculos antes do velho testamento, certo ? Porque eles te contaram isso na igreja certo ?

 

A prática

 

As pessoas faziam sacrifício aos deuses em suas casas nos altares caseiros. Sacerdotes e sacerdotisas sacrificavam aos deuses de sua cidade ou país (ou pomar, rio, etc.) no altar presente no templo da divindade. Os sacrifícios eram prática comum no mundo antigo, sendo feitos desde a época pré-histórica. Às vezes o animal sacrificado era totalmente queimado (holocausto) mas geralmente o deus ficava com as partes não saborosas como as entranhas, e talvez uma ou duas partes boas, como as coxas, e as pessoas comiam o restante. Era assim em Roma, em Atenas, no Egito e no templo judeu de Jerusalém. O deus tribal judeu Yahweh é um deus templário que recebe sacrifícios fragrantes, mas Jesus não era. Estamos nos afastando um pouco do tema do POCM. Se você quer saber mais a respeito da mecânica da religião cívica sacrificial templária consulte estes livros.

A propósito Em 167 AC o governante estrangeiro de Judá, um homem chamado Antíoco IV Epifânio forçou os judeus a desistir de sacrificar ao seu deus judaico no Templo de Jerusalém e, ao invés disso, sacrificar ao deus pagão de Antíoco (Zeus ou talvez, conforme alguns afirmam, Dionísio). A mudança foi o animal sacrificado e o nome do deus. O fato de matar um animal – em um altar, num templo dedicado a um deus, com incenso, que parte era queimada para o deus e o restante era comido – e que todos, pagãos e judeus, sabiam exatamente como isso funcionava e o que significava, isso não mudou. O judaísmo era semelhante ao paganismo.

Vamos falar um pouco mais sobre como as ideias dos antigos acerca de causa e efeito deram forma à sua religião cívica templária sacrificial. Muitos deuses, uma religião Haviam muitas pessoas, muitas tribos, cidades, muitos eventos a explicar. Fazia sentido ter muitos deuses, semi-deuses, espíritos, etc, que causavam muitos eventos. Os antigos tinham muitos deuses, mas uma religião. O objetivo da religião cívica era conseguir ajuda divina. Seus deuses os ajudavam porque eles sacrificavam a eles nas manhãs, não porque você deixou de sacrificou a algum outro deus durante a tarde. E nenhum dos deuses se importava se as estórias a seu respeito que o povo acreditava eram ou não precisamente corretas. Visitantes do templo escreveram que diferentes sacerdotes contaram versões contraditórias dos mitos dos deuses – no mesmo templo, na mesma visita ! Os deuses ajudavam as pessoas. As pessoas ficavam felizes em conseguir ajuda de onde pudessem. Iniciados nos mistérios de Dionísio podiam pertencer simultaneamente aos mistérios de Ísis, e de fato o faziam – e os mistérios de Mitra, e de Atis. No templo de Júpiter, no centro de Roma, os crentes honravam além de Júpiter, Serapis, Dionísio, Mitra – e ninguém reclamava. Claro que não. Reclamar não faria sentido algum. As pessoas sacrificavam até a desuses sem nome. Só para se garantir.

 

A doutrina não importava

 

O próximo ponto é difícil de entender porque a noção de ser uma boa ideia converter as pessoas às nossas teorias religiosa é tão familiar a nós que nos é difícil por na cabeça o fato de que para a religião cívica antiga a doutrina não importava. É verdade. Você era legal com os deuses, estes te ajudavam e fim da estória. Havia regras religiosas intrincadas, mas eram regras para fazer corretamente os sacrifícios, para ter certeza de que os deuses se agradariam. Veremos mais tarde que a religião filosófica antiga tratava de doutrina. Mas não a religião cívica.

 

A propósito

 

As pessoas não tinham que sacrificar a todos os deuses. Alguns deuses demandavam adoração estranha ou nojenta demais para valer a pena. A cidade de Roma proibiu algumas seitas. Os seguidores de Dionísio foram fortemente suprimidos em 186 AC por motivos políticos e porque suas práticas sexuais dissolutas ofendiam os valores sociais conservadores. O governo romano introduziu a adoração à grande mãe Cibele em 204 AC , porém os cidadãos romanos eram proibidos de se tornar Galli, as “sacerdotisas” que notavelmente se castravam e se vestiam como mulheres. Ei, isso é assustador. Os cristãos foram banidos porque seu ateísmo (eles negavam a divindade dos deuses pagãos) ameaçava a ordem pública. Os antigos pagãos perseguiam religiões por razões culturais ou políticas; eles não perseguiam o que achavam ser falsa doutrina.

 

E então ? Então o sincretismo

 

Porque a doutrina não importava, e as pessoas recebiam de braços abertos a ajuda de onde quer que pudessem conseguir, crentes antigos emprestaram e adaptaram uns dos outros. Professores universitários chamam isso de sincretismo. A civilização antiga era como um caldeirão de religiões, mitos e rituais de diversas regiões e deuses. Depois que Alexandre (nos anos 300 AC) conquistou o oriente médio, os deuses gregos foram equalizados aos deuses do oriente médio – não apenas no nome, mas em mitos e rituais. Os gregos emprestaram do oriente médio, e reconstruíram sua religião de partes antigas. Os romanos conquistaram os gregos e, como você sabe, adotaram e adaptaram a religião grega como sua. Os romanos emprestaram dos gregos, e reconstruíram sua religião com partes antigas.

Empréstimo e reconstrução aconteciam em nível local também. Cibele e Atis são famosos por terem sacerdotes, chamados Galli, que cortavam fora seus próprios testículos como ato de devoção religiosa. Mas a deusa Atargatis também tinha sacerdotes castrados, assim como o deus Ma. A religião antiga era fluida e se adaptava. Repetidamente, rituais, mitos e teologia passavam entre pessoas e culturas. Repetidamente as pessoas reconstruíram suas religiões com partes antigas. Outro exemplo: atualmente associamos êxtases frenéticos e bêbados de vinho com o deus Dionísio (Baco, em roma) – e estamos certos. Mas outros deuses eram adorados com rituais semelhantes, inclusive o Sabázio dos trácios (cerveja, ao invés de vinho) e o oriental Corybas (associado à deusa Cibele) cuja possessão sagrada é chamada de coribantismo. Até mesmo Ísis e Cibele eram adoradas com danças selvagens. Mais uma demonstração da fluidez e adaptabilidade da religião antiga. Repetidamente, rituais , mitos e teologia passavam de povo a povo, de cultura a cultura. Repetidamente, pessoas reconstruíram suas religiões a partir de partes antigas.

Fonte: http://www.pocm.info/getting_started_ancient_religion.html

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